quarta-feira, 15 de maio de 2013


Novos dados, velhos problemas

Ao longo de 2012, questões antigas continuaram em destaque na área de meio ambiente. Mudanças climáticas, perda de biodiversidade, desmatamento e disputas nas discussões ambientais foram alguns dos temas que marcaram o noticiário.
Por: Thaís Fernandes
No ano em que o Rio de Janeiro sediou a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável – a Rio+20 –, as questões ambientais estiveram, mais do que nunca, em evidência no nosso país. Mas o brasileiro, que, segundo pesquisa feita pelo Ibope e pela Confederação Nacional da Indústria, está agora mais preocupado com as questões ambientais, deve ter tido a impressão de ver no noticiário mais do mesmo: mudanças climáticas, perda de biodiversidade, polêmicas acaloradas, descompasso na elaboração de acordos para frear o aquecimento global e promover o desenvolvimento sustentável.
Em 2012, eventos climáticos extremos novamente bateram à nossa porta. Enquanto na região amazônica os rios tiveram cheia recorde, no Nordeste foi a seca que preocupou. Já os Estados Unidos passaram por uma das piores tempestades de sua história, a Sandy, que atingiu a costa leste do país e deixou mais de 100 mortos
No fim do ano, um amplo levantamento realizado a partir de imagens de satélites apontou a aceleração do degelo nas calotas polares. Segundo o estudo, 4.260 bilhões de toneladas de gelo derreteram na Antártida e na Groenlândia de 1992 a 2011, o que fez o nível do mar se elevar em 11 milímetros.
 18ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima (COP-18), realizada no fim deste ano em Doha, no Catar, tinha como principal objetivo estabelecer um segundo período para o acordo. Mas o texto aprovado, que irá vigorar de 2013 a 2020, não avançou muito: prevê um corte de 18% nas emissões de gases-estufa em relação aos níveis de 1990, enquanto as metas defendidas pelos cientistas para conter o aquecimento global são de 25% a 40%. Além disso, apenas o bloco europeu e a Austrália terão metas de redução. Japão, Nova Zelândia, Rússia, Canadá e Estados Unidos ficaram de fora.
Também deixou a desejar o documento final da Rio+20, reunião realizada em junho no Rio de Janeiro. Os governos não assumiram compromissos concretos para tentar atingir os objetivos relativos ao desenvolvimento sustentável e deixaram de lado alguns pontos essenciais, como a criação de um fundo global para gerir danos causados por eventos climáticos e a transferência de recursos de nações desenvolvidas para países em desenvolvimento para compartilhar os desafios socioambientais que estão por vir.
Para o biólogo Jean Remy Guimarães, professor da Universidade Federal do Rio e Janeiro e colunista da CH On-line, o esvaziamento desse tipo de reunião é um sintoma que vem crescendo desde a Eco-92. “As conferências estão se tornando cada vez menos relevantes e vêm perdendo participação e poder de decisão”, avalia. 








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